Pai do 'pagotrance', Lerry considera que a 'periferia abraçou a música eletrônica'

 


Do nome de batismo à alcunha de "Lerry", muitos beats e feats percorrem a carreira do DJ feirense Pedro Lucas. Um dos expoentes da cultura SoundSystem da Bahia, o músico é dono de uma pesquisa que deu origem ao "pagotrance" e lançou, nas última semanas, duas novas apostas musicais: FêraBeat Remix e a participação no compilado Máfia do Dendê (confira aqui).

Para ele, versatilidade é a palavra de ordem no seu trabalho. "Essa é a palavra que dá liga para essa linguagem que eu trago. Ela não é tão fácil de assimilar na primeira ouvida, não é um estilo ou uma batida única. São diversas linguagens que se comunicam entre si através da tecnologia digital, através de softwares e hardwares no computador. O âmago do projeto Lerry é esse", aponta o DJ.


 


As misturas possíveis dão conta de ritmos como o trance, o arrocha, o trap, o forró, o sertanejo e até o pagodão baiano. Tudo numa "pegada" dançante. Seu álbum mais recente, o FêraBeat Remix, é ideal, indica Lerry, "para pistas de casa" e faz uma ode à cultura de Feira de Santana.

Iniciado na cena com a parte mais técnica da produção musical, ele conta que tudo se deu em 2013, quando começou a ensinar amigos DJs a montar equipamentos e trabalhar com programas. Acabou botando a mão na massa e fazendo ele mesmo as mixagens. 


 


"Em 2015 eu comecei a pensar sobre como eu gostava daquilo [da música eletrônica], mas não me sentia tão representado, então quis quebrar isso e comecei a brincar com essas experiências. Pensei como eu poderia caminhar com minha música para que seja comunicativa da minha verdade e da verdade do meu povo. Em 2016 eu lancei minha primeira música como 'Lerry', 'Ela Balança', com o Roça Sound, e em 2017 lancei o disco 'Tá Batenu' e caiu essa onda do pagode eletrônico", conta Lerry. 


 


O "pagotrance" veio disso, mas também de outras várias inquietações que permeiam o público que acompanha a cena eletrônica. Ele queria estar naquele lugar, mas com uma outra perspectiva. "O pagotrance nasce primeiro da observação de que nós, agentes da cena de música eletrõnica na Bahia, não somos iguais ao púbico padrão de psytrance. É uma cena que em sua essência é branca e aqui ela tomou outra forma", indica. 


 


"A periferia abraçou a festa de música eletrônica. A juventude periférica baiana acessa a rave e ela não se comporta como a juventude da classe média. Isso era um choque para mim porque quando comecei a gente tinha outras referências e eu não me identificava porque não queria me fantasiar. O 'pagotrance' começa de querer levar a minha parte para aquilo, não só pegar a influência de fora, quis mostrar uma coisa nossa, brasileira, baiana, feirense". 


 


"Pagotrance", a música homônima, é um dos marcos fundantes do estilo que mistura o trance e o pagode baiano tomando como referência as influências negras como a cabila (ou cabula) tocada nos atabaques dos terreiros de candomblé. 


 


Um outro aspecto do trabalho de Lerry são os feats, principalmente com artistas locais. As "aglomerações", como ele brinca ao falar sobre as parcerias com representantes de variados estilos, sempre estiveram no seu radar por querer tornar o que fazia "em sua essência, colaborativo". 


 


"Primeiro chamei pessoas para fazer letra, colocar a voz e ao mesmo tempo fui abraçado por outras pessoas que eu nem pensava em chamar e aí fui tendo uma outra perspectiva. Comecei a compor também", diz Lerry, comentando sobre o processo de criação de uma dessas composições "Aquela Saudade", em parceria com o grupo Luísa e os Alquimistas.


 


"Eu vejo o feat como uma grande sacada para todo mundo. Divulga, espalha, diminui os custos e fortalece mais pessoas", argumenta, lembrando que a ideia de parcerias não é nova no mercado musical e já podia ser vista nos tempos dos vinis com o formato split.

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Pai do 'pagotrance', Lerry considera que a 'periferia abraçou a música eletrônica'
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